Por desmatamento, França se opõe ao acordo UE-Mercosul

A França mantém sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul em seu estado atual e considera o desmatamento um problema “maior”, informou o governo nesta sexta-feira, 18.

Após receber relatório de um comitê de especialistas alertando para os riscos ambientais que a entrada em vigor desse acordo acarretaria, o governo francês apresentou três “exigências” para a continuidade das negociações, entre elas o respeito ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

O acordo da UE com o Mercosul deverá ser apresentado ao Conselho Europeu para discussão ainda este ano. Recentemente, a Alemanha se juntou aos Estados-Membros da UE que já expressaram dúvidas sobre a implementação do pacto. No mês passado, a chanceler Angela Merkel colocou o pacto em xeque. “Temos sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme planejado, quando vemos a situação”, afirmou seu porta-voz, referindo-se à Amazônia.

A ministra alemã da Agricultura Julia Klöckner acrescentou que o “acordo comercial não será ratificado a curto prazo” e que a grande maioria dos ministros da agricultura da UE é “muito, muito céptica” em relação ao tratado. Um artigo realizado por 22 pesquisadores europeus e publicado na semana passada também critica o pacto e aponta incompatibilidade entre o acordo e os princípios ambientais europeus.

Presidente do Conselho Amazônia Legal, o vice-presidente Hamilton Mourão é quem vem costurando as tratativas para a consolidação do acordo de livre comércio com o bloco europeu, se encontrando com membros de instituições financeiras e empresas privadas para mostrar o compromisso com a pauta ambiental.

Porém, conforme mostrou reportagem de VEJA, membros dos governos europeus confirmam a disposição da União Europeia para ratificar o tratado. “Nossa posição permanece intacta. Nós fomos capazes de estabelecer esse acordo depois de quase 30 anos de negociação, e estamos muito dispostos em consolidá-lo”, disse o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms.

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(Com AFP)

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